CONTEXTUALIZAÇÃO DA ESPÍSTOLA A FILEMON
1. A CIDADE DE COLOSSOS
Não se sabe quando foi fundada, mas sabemos que já no tempo de
"Assuero", rei da Pérsia (485-465 a.C), ela era uma comunidade
próspera. Colossos se manteve como uma cidade grandiosa por muito tempo, até
ser ameaçada e finalmente ultrapassada pelas cidades vizinhas, Laodicéia e
Hierápolis. Duas gerações antes o apóstolo Paulo escrever a carta aos
colossenses, o historiador grego Strabo, a caracterizou como "uma cidade
pequena".
Das três cidades que ficavam situadas no vale do rio Lico, apenas
Colossos não possuí grandes ruínas nos dias de hoje. É maravilho pensar
que a tão importante epístola aos Colossenses tenha sido enviada a uma igreja
situada numa cidade, já insignificante nos dias de Paulo e, provavelmente,
pequena me número de membros. O que pode parecer pequeno aos olhos do homem é
com frequência grande e importante aos olhos de Deus.
2. O REAL PROPÓSITO DA CARTA DE PAULO A FILEMOM
O apóstolo
Paulo estava em seu primeiro cativeiro romano, quando escreveu Colossenses,
Filemom, Éfésios e Filipenses. Filemom era uma das colunas da igreja de
Colossos. Ele amava ao Senhor e aos irmãos, e havia dado concreta evidência
deste fato vez após outra (Fm 7). Ele era filho espiritual de Paulo, pois,
direta ou indiretamente, Deus o havia usado para transformá-lo (veja Fm 19).
Sua nova vida não havia afetado somente a si, mas também a de sua família.
Considera-se provável que Afia fosse sua esposa e Arquipo o filho dos dois.
Amigos que haviam aceitado ao Senhor se reuniam regularmente em casa para
prestar culto (Fm 2). Na ausência de Epafras, Arquipo provavelmente teria a
responsabilidade de dirigir a reunião (Cl 4.17). Ele pode ter sido um jovem
que, como Timóteo, necessitasse ser encorajado (cf. lTm 4.12). Ora, Onésimo era
um dos escravos da casa de Filemom. Esse escravo fugiu, indo até Roma. Ali
entrou em contato com Paulo. Assim como o Senhor havia abençoado anteriormente
o trabalho do grande missionário no tocante ao coração do dono, também agora o
abençoou no tocante ao coração do escravo. Ele se tomou tão querido para o
apóstolo que Paulo o chama de “meu filho, a quem gerei entre algemas” (v. 10),
“meu próprio coração (v. 12), “um irmão caríssimo, especialmente de mim, e com
maior razão de ti, quer na carne, quer no Senhor” (v. 16), “fiel e amado irmão”
(Cl 4.9). Com muita alegria Paulo teria conservado Onésimo junto de si como
assistente, pois finalmente seu carácter havia feito jus ao seu nome.
Relacionado a isso, leia Filemom 11 e note o jogo de palavras no
sinonimo do nome do escravo: “Onésimo, que antes te foi inútil, mas agora
é útil para ambos, tu e eu”. Mas Paulo não julga correto manter Onésimo em
Roma. Ele decide mandá-lo de volta ao seu senhor com um pedido colocado de
maneira muito cuidadosa e educada, para que este o receba como alguém que não é
mais meramente um escravo, e, sim, um irmão amado. Se ele, de algum modo,
houvesse lesado o seu senhor, Paulo está pronto a assumir total
responsabilidade pelo pagamento da dívida. Contanto inexcedível o grande
apóstolo acrescenta: “sem falar que além do mais tu me deves a ti mesmo” (v.
19).
Paulo não ordena, apesar
dele próprio dizer que tem o direito de fazê-lo; em vez disso, apela ao coração
de Filemom (v.9). Ele está totalmente convencido de que este fará “até mais do
que” lhe está sendo pedido (v.21). O apóstolo mantém esperança de ser solto de
seu presente aprisionamento e espera que Filemom lhe “prepare um quarto de
hóspedes” (v.22). É quase desnecessário acrescentar que, apesar desta epístola
inspirada não condenar a instituição da escravatura com palavras, ataca seu
espírito e transforma o escravo em um irmão amado. Assim, o propósito de Paulo,
ao escrever Filemom, pode ser resumido da seguinte forma:
1. Assegurar o perdão para Onésimo.
2. Atacar o âmago da questão da escravatura, formulando um pedido tático
para que se mostrasse amor a todos, inclusive aos escravos, de acordo com os
preceitos de Cristo.
3. Providenciar para si um lugar para hospedagem após sua soltura da
prisão.
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MARTIN, RALPH P. Introdução e comentário; Colossenses e Filemon. São Paulo: 1º Ed. Série cultura bíblica - Editoras Vida Nova e Mundo Cristão, 1984.
HENDRIKSEN, WILLIAM. Comentátio do NT - 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
Por: Andrei Quintanilha. Administrador do Blog, bacharelando em Teologia
pelo SETER.
Parabéns Andrei!
ResponderExcluirA epístola a Filemom é realmente riquíssima, pois como bem observou o reformador Lutero, Paulo está se colocando no lugar de Onésimo como Cristo se colocou em nosso lugar, ou seja, verdadeira obra de mediação por uma fidedigna reconciliação. Lutero ainda conclui em seu comentário sobre o texto: "porque todos nós somos Onésimos".
Assim, que todo cristão seja de fato um imitador de Cristo!
Fraternalmente...
Eu que tenho que parabeniza-lo pelo rico comentário! Obrigado irmão!
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