OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS



OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS
É SEXTA-FEITA
1. Na terceira vigília da noite (entre 00h e 3h) da sexta-feira, Jesus é levado preso ao sumo-sacerdote Anás sogro de Caifás (Jo 18:19–23), que depois o conduz ao próprio genro (Jo 18:24). Algumas horas antes (aprox. 22h da quinta-feira), Jesus havia vivido um momento agonizante no jardim do Getsêmani, onde a tensão era tão grande que ele exclamou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42). Nesse momento “suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22:44). Em seguida, acontece o momento da traição por parte do “filho da perdição” — Judas (aprox. 23h da quinta-feira), ao qual, o trai por trinta moedas de prata, então, Jesus é preso (aprox. 00h).
2. Estando-os na terceira vigília da noite, cumpre-se então o que Jesus havia profetizado a Pedro, que o nega três vezes e se arrepende amargamente. O fato de os oficiais do templo zombarem de Jesus como relata o evangelho de Lucas (22:63–65) também aponta para o cumprimento da profecia (esse tratamento permanecerá em toda a tortura que Ele vivência; ver Mt 27:39):
“Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que me veem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça”. (Sl 22:6,7).
3. Agora, já está quase amanhecendo, são aproximadamente 4h da manhã, na quarta vigília da noite. Jesus é levado ao Sinédrio que o interroga, tentando encontrar algo que o incriminasse. Nada encontrando que o incriminasse, o sumo-sacerdote então pergunta: “você é o Cristo, o filho de Deus Bendito?”, a resposta de Jesus que claramente remetia a Sua divindade soa como blasfêmia aqueles homens inflamados de ódio que os julgam “réu de morte” (Mc 14:62).
4. Aquela assembleia inflamada leva Jesus a Pilatos, que nessa ocasião era o governador romano da Judéia (26–36 a.C). Com a decisão do Sinédrio pela pena de morte, cabia agora ao governador da província efetivar a execução de Jesus. Entretanto, Pilatos de imediato não ficou confortável com essa decisão por parte do Sinédrio, e não acreditava na acusação que Jesus era uma ameaça ao Império Romano, chegando a declarar a sua inocência por três vezes (a sua esposa chegou a sonhar com a inocência de Jesus; Mt 27:19). Tentando escapar dessa situação complicada, Pilatos envia Jesus ao Tetrarca Herodes Antipas, o mesmo que havia mandado cortar a cabeça do primo de Jesus, João Batista. Além de aliviar sua situação, essa manobra ainda serviria para reconciliá-lo com Herodes, ao qual não mantinha uma boa relação. Sua tentativa de reconciliação deu certo (Lc 23:12) mas Antipas devolveu Jesus à sua jurisdição. Cabia a ele decidir pela condenação do Salvador.
5. Na 2ª hora (entre 7h e 8h da manhã) Jesus está perante Pilatos novamente e, não somente perante ele, mas também estavam “os principais sacerdotes, as autoridades e o povo” (Lc 23:13), que gritavam: “Fora com este! Solta-nos Barrabás!”. Mesmo Pilatos querendo soltar a Jesus, a multidão extremamente alvoraçada continuava a gritar pedindo: “Crucifica-o! Crucifica-o!” (v.21). Isso nos mostra que não foi somente um dos lados — como os judeus ou os romanos — que foram responsáveis pela morte de Jesus, mas todos, definitivamente todos foram responsáveis, assim como a igreja primitiva declarou mais a frente: “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel” (At 4:27). O clamor da multidão então prevalece, Pilatos manda soltar a Barrabás e em seguida entregou Jesus aos soldados para ser crucificado, que a essa altura já havia sido flagelado pelos soldados. O apóstolo João narra esse fato da seguinte forma:
“Então, por isso, Pilatos tomou a Jesus e mandou açoitá-lo. Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e vestiram-no com um manto de púrpura. Chegavam-se a ele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas”. (Jo 19:1–3).
O Dr. Pierre Barbet descreve (pelo ponto de vista médico do que provavelmente aconteceu) o flagelo da seguinte forma:
“Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue. Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).”
6. Se aproxima a 6ª hora (entorno de meio-dia), Jesus caminha em direção ao Calvário. Barbet continua a sua análise:
“Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinquenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, frequentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.”
7. Quase na 6ª hora, Jesus chega ao seu lugar de martírio, está tudo preparado para a execução da crucificação romana. A terra irá ficar em trevas, escura, manchada pelo mal que envolve toda essa trama (Lc 22:33; 23:44). Jesus é erguido em um madeiro ao lado de dois malfeitores, “um de cada lado, e Jesus no meio” (Jo 19:18), com um cimo acima Dele escrito: “JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS”. Mesmo com tanta dor e sofrimento, ainda não lhe escapa o Seu amor, agonizando de dor Ele diz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34), em seguida, libera o Seu imenso perdão a um dos malfeitores arrependidos, o prometendo que naquele mesmo dia estariam juntos no Paraíso (v.43). O véu do templo se rasga, simbolizando que o caminho para a presença de Deus está aberto novamente (v.45) e, então, na 9ª hora Jesus morre. Barbet narra as horas finais:
“[…] Cada vez que o mártir [Jesus] levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico […]
Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?’.
Jesus grita: ‘Tudo está consumado!’. Em seguida num grande brado diz: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’. E morre. Em meu lugar e no seu.”
É SÁBADO
1. Amanhece, o sol mostra o seu brilho, mas para os discípulos de Jesus ainda permanece um dia escuro e profundamente triste. Apesar dos avisos de Seu mestre do que iria acontecer, eles estão atônitos, intensamente angustiados, tentando assimilar tudo que havia ocorrido. A esperança se esvai, assim com o sangue que desceu pelo madeiro. A culpa recai, sabendo que quando Jesus foi preso, eles tinham todos fugido, abandonando-o inclusive na crucificação (menos o discípulo amado). Agora Jesus, o salvador que deveria mudar o mundo, estava morto e sepultado e eles estavam humilhados e destroçados, pois, a suas expectativas (na visão deles) haviam sido frustradas. Apesar de tudo parecer perdido, eles não sabiam que Jesus estava preparando a sua vitória sobre as trevas e a morte.
2. O sepultamento havia sido às pressas no dia anterior, porque o sábado era um dia de descanso para todos os judeus. Nesse dia, não deveriam fazer nenhum trabalho. Mesmo sabendo que os discípulos deveriam ficar em casa cumprindo o período sabático (Lucas 23:54–56), os sacerdotes continuam tramando e do templo enviam um destacamento de guardas para vigiar o túmulo e impedir que os discípulos roubem o corpo.
É DOMINGO
1. Amanhece o terceiro dia e, certas mulheres piedosas (dentre elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago) que haviam seguido a Jesus desde a Galileia, que tinham cuidadosamente preparado na noite anterior os aromas e os bálsamos, chegam ao túmulo onde Jesus havia sido sepultado (Lc 24:1). Os rostos que ainda estavam vermelhos pelo lamento da noite anterior, agora ficam perplexas ao verem que além da pedra do sepulcro ter sido removida, o corpo de Jesus não se encontra no local. Nesse mesmo momento, aparece dois anjos que gera um extremo temor em seus corações, esses seres dizem: “por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou” (Lc 24:5,6). Ainda as lembra que Jesus havia falado com elas a respeito de Sua morte e ressurreição: “Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia” (v.6,7). Nesse mesmo instante elas se lembraram, com os seus corações inflamados de alegria e suas mentes ao mesmo tempo assimilando o ocorrido, foram correndo relatar aos discípulos. Porém, eles não acreditaram de imediato, achando ser um delírio proveniente do luto. Mas Pedro mesmo assim se dirige até o sepulcro e nada encontra, a não ser os lençóis de linho que foram usados para cobrir o corpo do seu mestre. Onde Jesus está?
2. No mesmo dia, dois discípulos estavam caminhando pelo caminho de Emaús, um percurso que ficava a 30km a oeste de Jerusalém. Naquele momento, o próprio Jesus glorificado começou a caminhar com eles, porém, eles não conseguiam reconhecê-lo, até o momento do partir do pão. Quando estava perto do anoitecer, eles convidaram a Jesus para descansarem com eles do longo caminho (Lc 24:29). Somente quando Jesus partiu o pão é que os seus olhos se abriram e eles reconheceram que era o próprio Jesus ressurreto que estava diante deles, entretanto, Jesus desapareceu. Logo depois, eles foram relatar o que havia sucedido aos outros discípulos e, enquanto ainda falavam a respeito do que estava acontecendo, Jesus apareceu para eles, ao qual pensaram de imediato ser um espírito fantasmagórico. Admirados que seu amado mestre estava diante dos seus olhos, ficaram ali parados olhando fixamente enquanto Jesus comia com eles e lhes explicava as Escrituras.
3. LOUVADO SEJA AQUELE QUE VENCEU A MORTE! Jesus apareceu algumas outras vezes para os discípulos, durante um período de quarenta dias (At 1:3). Além disso, o apóstolo Paulo vai relatar que Ele ainda apareceu para mais de quinhentas pessoas (1 Co 15:6). No Seu último momento na terra, Jesus os levou para o Monte das Oliveiras. Imagino como aqueles discípulos estavam se sentindo naquele monte, tudo parecia estar mais bonito, as coisas estavam começando a se encaixar. E, enquanto eles eram abençoados, Seu mestre foi elevado aos céus para ser coroado como Rei não somente de Israel, mas de toda a terra.

Texto: Prof. Andrei Quintanilha 

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