SINAIS DO APOSTOLADO
Por: Andrei Quintanilha
É recorrente eu me deparar com interpretações equivocadas sobre o texto de 2 Coríntios 12.11,12. Geralmente, essas interpretações é fruto de um cessacionismo enraízado.
Alguns tem argumentado que sinais, prodígios e maravilhas eram restritos aos apóstolos, pois, Paulo diz que essas demonstrações de poder eram apenas "sinais do seu apostolado". Porém, devemos ter cuidado para não inferir algo que Paulo não disse. Sendo assim, vou pontuar algumas coisas.
(1) Paulo está argumentando contra os seus opositores, deste modo, faz sentido ele evocar esse assunto. Observe as palavras com cuidado. Os "sinais do apóstolo" não são equivalentes a sinais e maravilhas. Os "sinais do apóstolo" são feitos "por (ou com) sinais, maravilhas e prodígios". Como John Piper diz, temos que ter cuidado com traduções como a NVI que perdem totalmente a construção grega. Isso significa que "sinais, maravilhas e prodígios" eram parte do trabalho de validação de Deus na vida de Paulo, mas de jeito nenhum constituía a sua totalidade. Charles Hodge sugere oito evidências do apostolado que devem ser incluídos e, uma dessas, seria o sofrimento que eles suportavam pelo evangelho (2 Co 11. 22-33). Ora, isso que dizer que outras pessoas não vão sofrer pelo evangelho?
(2) O texto de forma nenhuma exige que "sinais e maravilhas" sejam únicos aos apóstolos, como de fato não eram (Mc 9.38-41; Lc 9.49-50; Mt 7.22-23; Mc 16.17-18; Jo 14.12; At 5.12-16; 19.11-12; Gl 3.5). Observe o exemplo: O sinal de um nadador profissional é ter as costas largas, mas isso não quer dizer, que uma pessoa que não é um nadador profissional, não possa ter costas largas. Eu só quero dizer que nadadores tem e, tomado com outras evidências, isso pode ajudar outras pessoas a identificar um nadador (me espelhei em um exemplo similar que o John Piper usa). Interessante ainda, é observar o ministério de milagres de Jesus. Era um sinal do seu messiado? Sim (Mt 11.2-5). Porém, em Mateus 10.8 Jesus envia os doze e lhes dá a mesma autoridade (Mt 10.8). Isso que dizer que cada um dos doze era um messias? De forma alguma.
Os pressupostos são totalmente equivocados e acaba por trazer para dentro dos textos o cessacionismo.
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