OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

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OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS É SEXTA-FEITA 1. Na terceira vigília da noite (entre 00h e 3h) da sexta-feira, Jesus é levado preso ao sumo-sacerdote Anás sogro de Caifás (Jo 18:19–23), que depois o conduz ao próprio genro (Jo 18:24). Algumas horas antes (aprox. 22h da quinta-feira), Jesus havia vivido um momento agonizante no jardim do Getsêmani, onde a tensão era tão grande que ele exclamou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42). Nesse momento “suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22:44). Em seguida, acontece o momento da traição por parte do “filho da perdição” — Judas (aprox. 23h da quinta-feira), ao qual, o trai por trinta moedas de prata, então, Jesus é preso (aprox. 00h). 2. Estando-os na terceira vigília da noite, cumpre-se então o que Jesus havia profetizado a Pedro, que o nega três vezes e se arrepende amargamente. O fato de os oficiais do templo zombarem de Jesus como relata o evangelho de...

O QUE É BATISMO EM FOGO? 

POR: CRAIG S. KENNER

                Muitos cristãos de hoje falam de ser batizados em fogo como se fosse uma experiência agradável, mas não era esse o sentido pretendido por João Batista. De modo contrastante, todos concordam que o batismo no Espírito de Deus é algo positivo. Como saber ao certo o significado de "batismo no fogo"? Ao contrário da introdução sucinta que Marcos faz a seu Evangelho (sobre a qual falamos anteriormente), Mateus e Lucas descrevem em mais detalhes a proclamação do Espírito por João Batista no deserto. Com base no contexto em Mateus, entendemos que ele apresentou essa promessa de batismo em fogo para uma multidão majoritariamente hostil.

                No tempo de João, a maioria das pessoas considerava as profecias algo raro e, os profetas, algo mais raro ainda. Muitos acreditavam que o surgimento de verdadeiros profetas no deserto prefigurava a vinda do reino de Deus. Portanto, quando João Batista começou a profetizar no deserto a respeito do reino vindouro de Deus, pessoas de todas as regiões foram até ele. Uma vez que João se vestia como o Elias dos tempos antigos (2 Rs 1.8; Mt 3.4), é provável que muitos de seus seguidores o consideravam um novo Elias. Afinal, os profetas haviam prometido que Elias voltaria pouco antes do fim dos tempos (Ml 4. 5,6). Embora alguns outros judeus também comessem gafanhotos, uma dieta restrita a insetos e adoçante natural (mel) demonstrava dedicação total.

                É evidente que João não tinha muita escolha quanto a sua alimentação ou seu local de atuação; profetas que dizem a verdade raramente são bem recebidos nas sociedades instituídas. Quando verdadeiros profetas como João Batista começam a falar na sociedade atual, geralmente os expulsamos, exatamente como fizeram nossos pares de outrora. (imagine qual seria nossa reação se um profeta virasse a mesa da ceia da igreja no domingo de manhã e questionasse como podemos nos chamar discípulos de Cristo enquanto levamos uma vida materialista, ou como somos capazes de participar do corpo de Cristo enquanto frequentamos uma igreja deliberadamente racista, dentro de uma comunidade em que há segregação racial.)

                Além de João não ser bem-vindo em grande parte da sociedade, condenava até mesmo alguns de seus ouvintes! Ao observar as multidões (Mateus se concentra nos lideres religiosos que tinham ido até lá para avaliá-lo). João as chama “ninhada de víboras” (3.7), um insulto maior do que os leitores contemporâneos podem imaginar. No tempo de João, muitos pensavam que as víboras comiam a carne da própria mãe para sair do ventre dela e, como isso, matavam-na. Visto que, para os antigos não havia indivíduos moralmente mais perverso do que os parricidas, chamar alguém de filho de uma víbora era ainda pior que chamá-lo de víbora. Sem dúvida, os religiosos não acharam a menor graça, mas João mão se limitou a esse insulto. Os religiosos daquela época, como a maioria dos religiosos de hoje, tinham certeza absoluta de sua salvação. Os judeus se consideravam salvos por serem descendentes de Abraão (3.9). João adverte, porém, que somente o arrependimento verdadeiro os poupará da ira vindoura (3.7, 8).

                João não deixa espaço para ambiguidade quanto à “ira vindoura” e explica a seus ouvintes que tipo de ira devem esperar. Compara-os a árvores e diz que, se não derem fruto de arrependimento, serão cortados e lançados no fogo do julgamento (3.10). Aquele que está por vir juntará seu trigo num celeiro, mas queimará a palha com fogo inextinguível (3.12). Quando agricultores colhiam trigo, lançavam-no no ar, para o alto, a fim de que o vento levasse embora a palha, uma substância leve usada apenas como combustível barato que queimava rapidamente. João afirma a seus ouvintes que quem não se arrepender e produzir fruto de arrependimento em seu modo de agir será lançado no fogo que nunca se apaga, o fogo do inferno.

                Esse é o contexto da profecia de João a respeito do batismo no Espírito Santo. O tempo prometido do reino e da restauração de Israel se aproximava (3.2). Deus estava se preparando para reunir seus servos e queimar os perversos no fogo. Em passagens diferentes “fogo” pode representar coisas diferentes, mas neste contexto (bem como de modo mais frequente na Bíblia), simboliza juízo (3.10, 12). Nem todos os ouvintes de João se arrependerão. Alguns serão batizados no Espírito, outros serão batizados no fogo.

                Portanto, quando João anuncia que aquele que está para vir batizará no Espírito e no fogo, seus ouvintes entenderam que não se tratava apenas de boas notícias. Nesse contexto, o batismo no fogo só pode ser uma promessa negativa de um batismo de juízo para os perversos, enquanto o batismo no Espírito é uma promessa positiva para os justos.

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KENNER, CRAIG S. O Espírito na igreja: o que a Bíblia ensina sobre os dons (p. 
160 - 161). Craig S. Kenner; tradução de susana Klassen. - São Paulo: Vida Nova, 2018.

CRAIG S. KENNER: 
É professor de Novo Testamento no Seminário Teológico Asbury. Mestre pelo Seminário Teológico das Assembleias de Deus, em Springfield, Missouri, obteve seu doutorado em Novo Testamento na Universidade Duke. É autor de 20 livros, entre os quais Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo TestamentoO Espírito na igreja: o que a Bíblia ensina sobre os donsA mente do Espírito: a visão de Paulo sobre a mente transformada O Espírito nos Evangelhos e em Atos: pureza e poder divino, publicados por Vida Nova.

Observação do administrador: O blog não pretende ser exaustivo na concordância com o presente texto. O que me motivou a publicar esse trecho do livro, foi a concordância que o batismo com fogo se refira a juízo.


              

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