OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

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OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS É SEXTA-FEITA 1. Na terceira vigília da noite (entre 00h e 3h) da sexta-feira, Jesus é levado preso ao sumo-sacerdote Anás sogro de Caifás (Jo 18:19–23), que depois o conduz ao próprio genro (Jo 18:24). Algumas horas antes (aprox. 22h da quinta-feira), Jesus havia vivido um momento agonizante no jardim do Getsêmani, onde a tensão era tão grande que ele exclamou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42). Nesse momento “suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22:44). Em seguida, acontece o momento da traição por parte do “filho da perdição” — Judas (aprox. 23h da quinta-feira), ao qual, o trai por trinta moedas de prata, então, Jesus é preso (aprox. 00h). 2. Estando-os na terceira vigília da noite, cumpre-se então o que Jesus havia profetizado a Pedro, que o nega três vezes e se arrepende amargamente. O fato de os oficiais do templo zombarem de Jesus como relata o evangelho de...

A PRESCIÊNCIA RESOLVE?

De forma breve, eu pretendo tratar sobre alguns pontos intrigantes. Existem hoje algumas correntes soteriológicas, porém duas se destacam, até por se tratarem das duas únicas correntes ortodoxias dentro do cristianismo, apesar de elas focarem na salvação, seus ensinos abrangem toda cosmovisão cristã, são elas:

a) Arminismo: Recebeu este nome por causa de Jacobus Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a 1609.

b) Calvinismo (corrente ao qual eu me identifico): Recebeu este nome por causa de John Calvin (João Calvino), teólogo francês que viveu de 1509 a 1564.

Como havia dito antes, quero ser breve, nesse sentido não vou tratar aqui de todos os pontos que ambas as correntes teológicas se desenvolvem, antes, quero me ater a talvez os pontos mais importantes pra mim dessa discursão, a presciência Divina, e a predestinação.

Armínio falando a respeito da predestinação e presciência, ele diz:

“A estes sucede o quarto decreto, pelo qual Deus decretou salvar e condenar certas pessoas em particular. Este decreto tem o seu embasamento na presciência de Deus, pela qual Ele sabe, desde toda a eternidade, que tais indivíduos, por meio de sua graça preventiva, creriam, e por sua graça subsequente perseverariam, de acordo com a administração previamente descrita dos meios que são adequados e apropriados para a conversão e a fé; e, do mesmo modo, pela sua presciência, Ele conhecia aqueles que não creriam, nem perseverariam.”

Calvino por sua vez diz:

“Ninguém que queira ser considerado homem temente a Deus ousará simplesmente negar a predestinação, pela qual Deus adota a uns para a esperança da vida e destina a outros à morte eterna; mas muitos a cercam de sutilezas, sobretudo os que intentam que a presciência seja causa da predestinação. Nós admitimos ambas as coisas em Deus, mas o que agora afirmamos é que é de todo infundado fazer uma depender da outra, como se a presciência fosse causa e a predestinação, o efeito. Quando atribuímos a Deus a presciência, queremos dizer que todas as coisas estiveram e estarão sempre diante de seus olhos, de maneira que, em seu conhecimento, não há passado nem futuro, mas todas as coisas estão presentes. E de tal forma presentes que não as imagina como uma espécie de idéias ou formas, à maneira que nós imaginamos as coisas cuja recordação nosso intelecto retém, mas que as vê e contempla como se verdadeiramente estivesse diante dele. E essa presciência se estende por todo o orbe da terra e sobre todas as criaturas. Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que quer fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte [...]”

Vemos portanto uma grande divergência entre os dois grandes teólogos, para Armínio a predestinação está baseada na presciência de Deus, assim de maneira mais clara, podemos dizer que segundo ele, Deus decretou algumas pessoas para salvação e outras para perdição, com base na fé e perseverança prevista desde antes da fundação do mundo. Já para Calvino, a causa da predestinação é o decreto Divino, com base unicamente na sua livre vontade, de ordenar uns para a vida eterna e os outros para condenação eterna.

Muitos defendem que Calvino não quis nas Institutas defender uma dupla predestinação, isso a luz do contexto geral das Institutas. Por enquanto não irei tratar desse assunto, apenas quero ressaltar o porque não consigo concordar com as declarações arminianas em relação a predestinação, presciência e alguns outros fatores da teologia.

O entendimento do arminianismo sobre a presicência faz sentido?

Meus amados irmãos arminianos costumam dizer que a doutrina calvinista torna Deus o autor do mal, pois essa, ensina que Deus decretou todas as coisas, incluindo de alguma forma o pecado. Não quero desenvolver nesse artigo, o porque dessa declaração está equivocada, apenas quero de alguma forma ampliar o debate, e faze-los entender que depositar “essa conta” na presciência de Deus não resolve o problema, pior parece dá espaço para a rejeição de doutrinas basilares da fé cristã.

Permita-me trazer uma ilustração formulada por Gordon Clark, para mostrar o porque, somente dizer que a presciência de Deus não é determinista (segundo os arminianos), e que Deus predestinou com base no que viu, não resolve o problema, ele diz:

Uma ilustração romanista-arminiana é a do observador posicionado num penhasco. Na estrada abaixo, à esquerda do observador, um carro dirigi-se para o oeste. À direita do observador, há um carro vindo do sul. Ele pode ver e saber que haverá uma colisão no cruzamento logo abaixo dele, mas a sua presciência, segundo reza o argumento, não causa o acidente. Deus, semelhantemente supõe-se, tem conhecimento do futuro sem, entretanto, causá-lo. Tal semelhança, porém, é enganosa em vários pontos. O observador humano não pode saber realmente se a colisão ocorrerá. Embora seja improvável, é possível que ambos os carros estourem os pneus antes de chegarem ao cruzamento e se desviem. Também é possível que o observador tenha calculado mal as velocidades, e um carro poderia desacelerar e o outro acelerar, de modo a não colidirem. O observador humano pode imaginar a possibilidade de ocorrência do acidente, e tal imaginação não torna o acidente inevitável; mas se Deus sabe, não há a possibilidade de evitar o acidente. Cem anos antes que os motoristas nascessem, não havia a possibilidade de evitar o acidente. Não haveria a possibilidade de um dos dois decidir ficar em casa nesse dia, tomar uma rota diferente, dirigir numa velocidade diferente. Eles não poderiam tomar decisões diferentes das que tomaram. Isso significa que eles não tinham livre-arbítrio ou que Deus não sabia.

Conseguiu enxergar meu irmão arminiano? Gordon Clark prossegue: “Suponha-se, só por um instante, que a presciência divina, assim como as predições humanas, não cause o evento conhecido de antemão. Ainda assim, se existe a presciência, em contraste com a predição falível, o livre-arbítrio é impossível. Se o homem tem livre-arbítrio e as coisas podem ser diferentes, Deus não pode ser onisciente. Alguns arminianos têm admitido isso e negado a onisciência, mas isso, obviamente, antagoniza-os com o cristianismo bíblico. Há também outra dificuldade. Se o arminiano, ou o romanista, pretende preservar a onisciência divina e ao mesmo tempo alegar que a presciência não tem eficácia causal, ele deve explicar como a colisão foi assegurada cem anos antes, na eternidade, antes que os motoristas tivessem nascido. Se Deus não organizou o universo dessa maneira, quem o organizou?”

No desenvolvimento arminiano, parece existir um fator independente no universo. Porém, se realmente houvesse, implicaria em duas coisas. Primeiro, acabaria com a doutrina da criação, pois forças independentes não podem ser criadas, e forças criadas não podem ser independentes. Uma criação “do nada” não estaria completamente no controle de Deus, haveria uma outra força independente criacional e organizacional, igual ou maior que Deus. Segundo, se o universo não foi criado por Deus, o conhecimento que Deus tem dele (passado e futuro) não pode ser dependente daquilo que ele pretende fazer, mas sim, da observação do modo como ele funciona. Desse modo, como teríamos a certeza que as observações de Deus são totalmente acuradas? Como teríamos certeza que essas forças (ou força) independentes não mostrarão mais tarde uma torcedura insuspeita que falsificará as predições de Deus? E, para encerrar, neste modo de ver, o conhecimento de Deus seria baseado na experiência e não parte integral da sua essência, e, portanto, ele seri
a um conhecedor dependente. Podemos até crer consistentemente na criação, onipotência, onisciência e nos decretos divinos, mas não podemos permanecer em sanidade e ainda sustentar alguma dessas doutrinas com o livre-arbítrio.

Conclusão

Na minha opinião, não só o que foi abordado, mas todo o ensinamento arminiano entra em contradição justamente porque bate de frente com todo o argumento sobre a presciência desenvolvida até aqui. Permita-me dar dois simples exemplos:

a) Eles dizem que a eleição divina é condicional (segundo ponto da soteriologia arminiana), ora, isso contraria o terceiro ponto do arminianismo (expiação geral), pois se Deus em sua presciência já sabia quem iria crer e quem não iria crer em Cristo, e elegeu com base nisso para a salvação, e também predestinou, reprovou os que não creriam, como então conciliar que Cristo morreu por cada indivíduo do mundo, incluindo é claro os reprovados?

b) Eles também dizem que a graça pode ser resistida (quarto ponto da soteriologia arminiana), bem, isso contraria o segundo ponto do arminianismo, pois, se Deus antes da fundação do mundo, elegeu para a salvação com base na fé prevista, como então estes a quem ele viu que iriam crer podem resistir ao chamado interno?

Eu poderia lidar com outras tensões filosóficas e Teológicas sobre o assunto, mas por hora, quero somente salientar, que tudo que foi trato, foi para ampliarmos o debate, por enquanto termino dizendo que por mais esforçados que os arminianos sejam, seus argumentos não conseguem resolver o problema, pior, alguns arminianos já beiram o teísmo aberto, ao ponto de diminuir os atributos de Deus, justamente por estarem chegando à conclusão que seus argumentos são insuficientes.
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CLARK H, GORDON. Deus e o mal: problema resolvido, Editora Monergismo.

ARMÍNIO, JACÓ. As obras de Armínio, Casa Publicadora das Assembléias de Deus. 1º Edição – Volume I, pág. 274 – Rio de Janeiro, 2015.

CALVINO, JOÃO. Instituição da Religião Cristã,  Editora Unesp. Edição integral de 1559, Tomo II, Volume II, pág. 380.

Por: Andrei Quintanilha. Administrador do Blog, bacharelando em Teologia pelo SETER.

Comentários

  1. Preciencia se Deus....Armenianos sempre tomam por partida a capacidade do homem em tomar as decisões, mesmo sabendo que Deus é quem sabe e domina TUDO.

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